
Em contextos desafiadores como o da restauração ambiental, estruturar uma área de compras não é apenas uma questão operacional — é uma ação estratégica que influencia diretamente os resultados no campo, a sustentabilidade das operações e o fortalecimento da cadeia de valor.
Convidamos Susana Vincentin, líder do projeto de compras e suprimentos, para compartilhar sua experiência à frente da implantação dessa área em uma das maiores iniciativas de restauração ecológica em andamento no país.
Nesta entrevista, ela aborda os principais desafios da criação de processos em um setor ainda pouco estruturado, os caminhos para integrar critérios ESG às decisões de compras e o papel fundamental da área na garantia de eficiência, rastreabilidade e impacto positivo.
Da escolha de fornecedores locais ao enfrentamento das oscilações do mercado internacional, a conversa revela como a área de suprimentos se torna um elo estratégico entre os objetivos ambientais e a viabilidade operacional.
*Quais os principais desafios da estruturação de uma área de compras em uma empresa de restauração ambiental?
Integrar critérios técnicos e socioambientais em uma cadeia ainda pouco estruturada, com fornecedores dispersos e processos que precisam equilibrar agilidade, rastreabilidade e impacto positivo.
*Como a implementação da área de compras impacta uma empresa da área de restauração ambiental?
Profissionaliza a gestão dos recursos, garante transparência nas contratações e viabiliza o cumprimento dos objetivos ambientais com mais eficiência e controle.
*Como a área de compras foi estruturada para atender os critérios de ESG?
Ainda está em desenvolvimento. A baixa regulamentação do setor exige discussões técnicas sobre insumos e serviços. Há dependência de alguns fornecedores, mas já avançamos em critérios de rastreabilidade, controle documental e integração com áreas socioambientais.
*De que forma os fornecedores são avaliados em relação ao seu comprometimento com práticas de restauração ambiental?
Estamos implementando um software de gestão de terceiros que organiza e acompanha a documentação conforme critérios ESG da empresa. A avaliação considera regularidade ambiental, certidões, alinhamento com práticas de restauração, além de aspectos sociais e trabalhistas. Em alguns casos, como viveiros e prestadores locais, o diálogo direto é essencial para entender práticas que ainda não estão formalizadas.
*Quais são os maiores desafios logísticos enfrentados na implementação da área de compras voltada para a restauração ambiental?
Acesso a áreas remotas, transporte de materiais sensíveis e a necessidade de planejamento com antecedência para respeitar as janelas climáticas da operação.
*Como a volatilidade dos mercados internacionais impacta a aquisição de insumos, tecnologias ou equipamentos para a restauração ambiental?
O impacto é direto. Oscilações cambiais e incertezas no fornecimento dificultam negociações, planejamento e até a execução de algumas frentes. Isso exige estratégias de compra mais ágeis e diversificação de fornecedores sempre que
possível.
*Quais foram os principais riscos enfrentados pela Cadarn na estruturação da área de compras da re.green?
Ausência de processos definidos, urgência das demandas, falta de dados históricos e necessidade de engajar as áreas técnicas na construção de critérios de compras.
*Como a área de compras contribui diretamente para os objetivos de reflorestamento e preservação da biodiversidade definidos pela re.green?
A área de compras é peça-chave para viabilizar a operação no campo. Ela garante que os insumos e serviços estejam disponíveis conforme o cronograma técnico. Além disso, contribui com a rastreabilidade de origem, contratação de fornecedores locais, integração com critérios socioambientais e redução de riscos operacionais que poderiam comprometer os resultados de reflorestamento.